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terça-feira, 15 de outubro de 2019

Manifesto "Brasil em transe"

80 TIROS!, Mazé Leite, óleo sobre tela, 70x50 cm, 2019
Somos artistas cujo pensamento pictórico busca se orientar pelo movimento da luz sobre as coisas do mundo. Nosso trabalho é reflexo do estudo técnico e da observação dos efeitos da luz sobre a realidade. Seguindo os conceitos pictóricos ensinados há muito tempo por Rembrandt, as cores que usamos e as formas que pintamos buscam se submeter às direções da luz. Mas somos artistas brasileiros vivendo em um país cuja luminosidade colorida interfere diretamente sobre nossas pinturas. Seguindo este caminho, nos inspiramos na eterna dança do claro e do escuro. Podemos comparar esse tipo de percepção ao de músicos como Hermeto Pascoal e Sivuca, retratados por mim nesta exposição, que conseguiam extrair sons musicais de qualquer coisa. Para nós, qualquer coisa é potencialmente bela, se percebemos através das aparências o deslizar dos movimentos explícitos, ou sutis, da luz.
Por isso, a realidade sempre será nossa maior e inesgotável referência. Seja a realidade física, seja a realidade de nossa existência como seres que ocupamos um determinado espaço e tempo. Na minha visão, a arte jamais esteve isolada do restante da vida, em qualquer período histórico. Quando o homem pré-histórico pinta um bisão na parede de uma caverna, está expressando um símbolo do seu mundo, mas também seu modo de vida. Quando Michelangelo pintou a Capela Sistina, ilustrou uma ideia, uma cosmologia baseada em uma visão de mundo. Eugène Delacroix, com sua “Liberdade guiando o povo”, pintou um verdadeiro manifesto, indicando um novo tempo que precisava nascer. Sim, a arte tem um papel importante no mundo: elevar o espírito humano, o que muitas vezes quer dizer, provocar deslocamentos, fazer refletir.
Por isso, as obras desta exposição são a expressão individual de cada um de nós sobre o Brasil dos dias atuais. De um lado, um país rico culturalmente, imensamente criativo, musical, expressivo, miscigenado, multicolorido. De outro, um país em transe caótico: político, econômico, ambiental, social, cultural... Os dias atuais no Brasil são de medo: da volta dos dias terríveis da censura, dos ataques à democracia, à rica cultura brasileira, ao seu povo, ao seu meio-ambiente, ao seu futuro.
Após a eleição de Bolsonaro, houve uma reação unânime entre nós artistas do Ateliê Contraponto: esta quadrilha que chegou ao poder central no Brasil é nefasta. Neste ano e meio de trabalho, enquanto pintávamos nossas telas para esta exposição, Marielle Franco foi assassinada, Lula foi preso, Bolsonaro foi eleito, o conservadorismo se aprofundou, o desrespeito aos direitos humanos também. Duas barragens de lama despejaram detritos sobre Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. A polícia militar mata mais jovens negros do que nunca, nas periferias do Brasil. E há poucas semanas, vimos o horror da floresta amazônica pegando fogo. Isso tudo nos afeta como sociedade e, obviamente, nos afeta como artistas.
Como artistas, expressamos nossos sentimentos frente a tudo o que está acontecendo. Como lidamos com imagens, pintamos! Mas como seres humanos, e brasileiros, gritamos contra o retrocesso que estamos sofrendo, contra os conservadorismos de todos os tipos, contra todas as injustiças, incluindo a injusta prisão do presidente Lula. Lula livre!
Mazé Leite
Ateliê Contraponto de Arte Figurativa
Paris 2019

Em Paris, a exposição-manifesto do Ateliê Contraponto

Na última sexta-feira, 4 de outubro, às 19 horas, foi inaugurada a exposição “Brasil em Transe” de pinturas a óleo, organizada pela artista plástica Mazé Leite, na Galerie Art et Societé de Paris. A mostra reúne o trabalho de 12 artistas plásticos brasileiros ligados ao Ateliê Contraponto de São Paulo e ficará na capital francesa até o próximo dia 20 de outubro.
Cerca de 150 pessoas passaram pela galeria localizada no coração do bairro do Marais, em Paris, para o vernissage da exposição que consta de 22 obras realizadas em um ano e meio de trabalho por onze alunos do Ateliê Contraponto, mais 11 pinturas de Mazé Leite. Para esta exposição, viajaram cerca de 25 brasileiros em direção a Paris. Amigos de outros países também vieram de cidades como Dublin (Irlanda), Londres (Inglaterra) e Amsterdam (Holanda). Muitos brasileiros que vivem na França também estiveram no evento, em sua maioria ligados a movimentos de brasileiros que se unem atualmente para se contrapor ao governo bolsonarista e em especial pessoas ligadas aos comitês franceses pela liberdade de Lula. Além destes, muitos franceses também vieram ao vernissage, trazidos pela divulgação solidária das redes de amigos e camaradas do PCF.
Neste ano e meio de trabalho de criação das 33 obras, cujo tema geral é “Brasil em transe”, os artistas se voltaram a retratar pictoricamente momentos e personalidades da cultura brasileira mas também temáticas mais políticas, como o drama dos rompimentos de barragens que atingem o meio-ambiente e as populações das áreas atingidas, o genocídio da juventude negra, os preconceitos sofridos pela população LGBTI, a liberação de agrotóxicos mortais em nossa agricultura, a morte de Marielle Franco, a prisão de Lula, etc. Cada artista se expressou, dentro da temática, da forma como mais se sente atingido no momento atual. O conjunto dos quadros revela aos franceses a força da arte brasileira e de seus artistas, vivendo um momento crítico da sua história.
As pinturas foram muito bem recebidas e diversas pessoas se disseram surpresas com a qualidade do trabalho do Ateliê Contraponto. Entre taças de vinho, brasileiros e franceses se misturaram, e as conversas versavam não só sobre o trabalho artístico, mas principalmente sobre a triste situação política em que o Brasil se encontra após a eleição de Bolsonaro. Todos buscavam entender todo o processo, muitos manifestando o espanto diante de quão rapidamente a extrema-direita avançou no Brasil, chegando ao poder central.
Em um determinado momento do evento, franceses e brasileiros se postaram na rua em frente à galeria, puxados pelo Comitê Lula Livre de Paris, gritando palavras de ordem pela liberdade de Lula! Foi uma reação natural, surgida dessa união entre amigos e camaradas brasileiros e franceses, todos solidários ao Brasil que passa por momento de tantas dificuldades na vida política e econômica, governando por um presidente neo-fascista. Outras atividades estão sendo pensadas pela rede de brasileiros em Paris, aproveitando a exposição, para promover atos em apoio ao povo brasileiro, contra Bolsonaro.
Como faz questão de ressaltar a artista e professora do Ateliê Contraponto, Mazé Leite, “a realidade sempre será nossa maior e inesgotável referência. Seja a realidade física, seja a realidade de nossa existência como seres que ocupamos um determinado espaço em um tempo determinado. A arte jamais esteve isolada do restante da vida, em qualquer período histórico. Quando o homem pré-histórico pinta um bisão na parede de uma caverna, está expressando um símbolo do seu mundo, mas num certo sentido, seu modo de vida. Quando Michelangelo pintou a Capela Sistina, ilustrou uma ideia, uma cosmologia baseada em uma visão de mundo. Delacroix, com sua “Liberdade guiando o povo”, pintou um verdadeiro manifesto, indicando um novo tempo que precisava nascer. Sim, a arte tem um papel importante no mundo: elevar o espírito humano, o que muitas vezes quer dizer, provocar deslocamentos, fazer refletir”.
Por isso, as obras desta exposição são a expressão individual de cada um dos sobre o Brasil dos dias atuais. “De um lado, um país rico culturalmente, imensamente criativo, musical, expressivo, miscigenado, multicolorido. De outro, um país em transe caótico: político, econômico, ambiental, social, cultural… Os dias atuais no Brasil são de medo: da volta dos dias terríveis da censura, dos ataques à democracia, à rica cultura brasileira, ao seu povo, ao seu meio-ambiente, ao seu futuro”, completa Mazé.
Após a eleição de Bolsonaro, houve uma reação unânime entre os artistas do Ateliê Contraponto: esta quadrilha que chegou ao poder central no Brasil é nefasta. Neste ano e meio de trabalho, enquanto pintavam suas telas para esta exposição de Paris, Marielle Franco foi assassinada, Lula foi preso, Bolsonaro foi eleito, o conservadorismo se aprofundou, o desrespeito aos direitos humanos também. Duas barragens de lama despejaram detritos sobre Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. A polícia militar mata mais jovens negros do que nunca, nas periferias do Brasil. E há poucas semanas, vimos o horror da floresta amazônica pegando fogo.
“Isso tudo nos afeta como sociedade e, obviamente, nos afeta como artistas. Como artistas, expressamos nossos sentimentos frente a tudo o que está acontecendo. Como lidamos com imagens, pintamos! Mas como seres humanos, e brasileiros, gritamos contra o retrocesso que estamos sofrendo, contra os conservadorismos de todos os tipos, contra todas as injustiças, incluindo a injusta prisão do presidente Lula”, finaliza Mazé Leite.
Exposição de pinturas “Brasil em Transe”
Período: 4 a 20 de outubro de 2019
Horário: das 12h às 20h
Local: Galerie Art et Societé
19, Rue du Pont Louis-Phillipe
75004 – Paris França

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Ateliê Contraponto faz exposição em Paris

De pé, da esquerda para a direita: Roque, Ana Maria, Luciana, Taïs, Guilherme, Beto, Ana Sá, Virgínia, Sarah. Sentadas: Rubi, Mazé e Nathalia
O Ateliê Contraponto de Arte Figurativa, de São Paulo, sob a orientação de Mazé Leite, estará fazendo uma exposição na Galerie Art et Societé de Paris, de 4 a 24 de outubro próximo. A artista e onze de seus alunos levarão para a capital francesa 33 pinturas executadas em um ano e meio de trabalho. O tema da exposição "Brasil em transe" serviu como guia para a criação das obras, que resumem a visão individual de cada artista sobre nosso país, que vive tempos tão difíceis após a eleição de Jair Bolsonaro.
80 TIROS!
Mazé Leite, óleo sobre tela, 50x70 cm, 2019
A Galeria Art & Societé está localizada em um dos bairros mais culturais da capital francesa, ao lado de inúmeros museus e galerias de artes, e é reconhecida por receber artistas contemporâneos de diversos lugares do mundo, inclusive da América Latina.
A exposição, que terá sua inauguração às 19h (hora local) do dia 4 de outubro, é o resultado da curadoria e do planejamento da proprietária e professora do Ateliê Contraponto de Arte em São Paulo, Mazé Leite. Convidada pela Galeria parisiense Arte & Societé para fazer uma exposição individual, Mazé, que é uma grande entusiasta da arte figurativa no Brasil, divide essa oportunidade com 11 alunos do Ateliê que terão duas de suas obras expostas em Paris, totalizando 22 pinturas que foram executadas em um ano e meio de trabalho intenso. 
“Essas obras expressam nossas visões pessoais sobre o Brasil que vivemos, neste momento crucial de nossa história. Quando iniciamos nosso trabalho para esta exposição, não se tinha ideia dos rumos que o Brasil tomaria com a eleição de Bolsonaro. Isso nos afetou pessoalmente e deu ainda mais elementos para nosso processo de criação”, conta a artista e professora Mazé. 
"Brasil em Transe" apresentará aos visitantes uma riquíssima variedade de abordagens, que vai desde momentos que representam a cultura brasileira até temas de caráter mais político, passando por pinturas que denunciam o drama da população mineira causado pelo rompimento de barragens, o genocídio da juventude negra, os preconceitos sofridos pela população LGBTI, a liberação de agrotóxicos mortais em nossa agricultura, entre outros. A exposição também contará com obras que dão vazão a questões mais pessoais, individuais ou não, de um país cujo povo passa por grandes dificuldades neste período no qual a extrema-direita está em crescimento, gerando temores e ameaçando as conquistas sociais, econômicas e culturais de outrora. Porém, além de retratar essas barreiras e dores, as obras buscam reforçar que neste “Brasil em transe" há artistas que resistem e que ao pintar transformam seus próprios medos em arte, impingem suas próprias cores e mostram a beleza e riqueza que ainda são parte de um país que já inspirou muitos poetas.
Realismo em dança com a luz
Os trabalhos selecionados para a exposição contam com matéria-prima elementar: tinta a óleo, com uma técnica que segue um conceito fundamental, o da luz, e seus efeitos sobre a realidade observada.
Ao usar “a luz, mais abstrata que a matéria, para ir além do superficial”, segundo a curadora, os trabalhos seguem a tendência da arte figurativa, que retoma fôlego no país, mas já muito praticada em diversos países, com destaque para os EUA com artistas como David Leffel, Sherrie McGraw, Burton Silverman, etc. 
“Minha visão sobre a pintura mudou muito, desde que fui apresentada por um dos meus últimos professores, Maurício Takiguthi, a um novo modo de percepção. Desde então, me interesso cada vez mais pela aparência real das coisas e a forma de representá-la. Há 10 anos me dedico a estudar e a me aprofundar neste conceito, que também ensino em meu Ateliê”, reflete Mazé.
Os artistas, cujas obras fazem parte desta exposição, tecnicamente expressam nelas sua evolução pessoal no aprendizado deste tipo de pintura a óleo, além de dar voz a sua própria sensibilidade, ponto de vista e ideias sobre o tema proposto.
Artistas expositores:
Mazé Leite
Ana Maria de Sousa Pereira
Ana Suitsu
Beto Tozzi
Guilherme Martinez
Luciana Fortes Balam
Nathalia Lopes
Roque Magalhães
Rubi Conde Ferreira
Sarah Hounsell
Taïs Isensee
Virgínia de Morais

Serviço
Exposição: Brasil em Transe - Pinturas a óleo
Curadoria: Mazé Leite.
Abertura da exposição: 4 de outubro, às 19h.
Encerramento: 20 de outubro
Local: Galeria Art & Société
Endereço: 19 rue du Pont Louis Philippe 75004 / Paris, França
Entrada gratuita

Acompanhe nossas redes sociais e site:
Facebook: @ateliecontrapontoarte Instagram: @ateliecontrapontoarte

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Espaços de exposição

Confesso que ando com muita preguiça de escrever neste começo de ano... Faz parte da minha onda atual, mais parecida à maré mansa, àquelas praias sem onda onde a gente pode nadar e boiar por horas, sem nenhum sobressalto. Não que eu não esteja em atividade; pelo contrário, cada pedaço de tempo do meu dia tenho usado lendo, estudando, pintando, trabalhando... Alterno isso com longas horas de sono e ausência. Movimentos de fluxo... e de refluxo... como o mar.

Mas hoje tive vontade de tecer uns comentários, de trás da minha preguiça. É que me perguntaram se é fácil expor em galerias de arte no Brasil... Tive que responder, à contragosto, porque esse assunto também me dá muita preguiça! (Devo estar parecendo Macunaíma que vivia repetindo: "Ai que preguiça!")

Galerias. Em geral são espaços fechados, não só fechados no sentido arquitetônico do conceito. Há alguns, inclusive, que mais lembram bunkers, aquelas estruturas fortificadas e feitas para serem resistentes às armas de guerra. Conheço duas galerias assim, uma na Vila Madalena, outra na avenida Rebouças. Mas há outras um pouco mais simpáticas, quando se vê da rua. Da rua. Até você entrar e se deparar com um sujeito - ou uma sujeita - que vai lhe medir dos pés à cabeça e te ignorar assim que sua "medição" descobrir que você não tem onde cair morto, quanto mais algum recurso para adquirir alguma das "obras" ali expostas...

Galerias não são para os "fracos". Há exceções, claro. Mas aqui em São Paulo não conheço nenhuma, mesmo que aberta a conhecer, caso exista. O modus operandi da velha elite paulistana, mesmo a mais metida a intelectual, ainda se espalha por vários espaços culturais desta cidade, impondo seus gostos, sua estética, seus padrões, seu mercado de arte... Que não é para muitos, pois é para POUCOS!

Fora do Brasil, a situação é outra, pois onde há valorização da cultura e das artes, há infinidades de espaços onde cabem muitos. Mesmo aqui em nossa latina América: em Buenos Aires as galerias se espalham pela cidade e elas são espaços mais democráticos do que aqui. Ah o Brasil... quando chegará a nossa vez? Sinto dizer que está cada dia mais distante a nossa vez... Ando mal humorada - nestes tempos bizarros - e preguiçosa de escrever.

Dito isto, respondi com uma careta: não, não mesmo! A não ser que você faça parte da "galera": a mesma que se autodenomina "artista" porque recria e regorgita conceitos robotizados aprendidos de professores de artes conceituais nas nossas academias que são os mesmos que mandam nas galerias, nas exposições, nas bienais, incentivando experimentações ad nauseam, dentro dos mesmos velhos paradigmas das experimentações artísticas que já tem uma idade de pelo menos 100 anos, quando o mundo era outro mundo, e os artistas mais sérios, porque sabiam o que faziam quando se rebelavam contra o status quo... Hoje o "chique" é ser do status quo da arte dita "contemporânea", embebida em jogos sujos de poder. De todos os tipos dos podres poderes...

E viva a arte e os artistas contemporâneos, que somos todos nós, incluindo nós os da pintura figurativa e realista. Nós que preferimos - enquanto uivam as matilhas - ir estudando a pintura clássica com seus grandes mestres, para aprender deles - nessa timeline que já possui mais de 500 anos! Nós, os que não se contentam somente com a superfície da expressão individual em detrimento do aperfeiçoamento pessoal. Porque o conhecimento - o aprendizado dos instrumentos do ofício - não é só o manejar dos pinceis e o escolher das cores, mas o mundo que tudo isso nos abre: nos enriquece como seres humanos, além de tudo.

"O ateliê do pintor", Gustave Courbet, 1854-55, Museu D'Orsay, Paris

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Exposição dos alunos do Ateliê Contraponto

Na sexta-feira, 9 de dezembro, professores, alunos e seus convidados comemoraram as conquistas de mais um ano de trabalho, o terceiro ano do Ateliê Contraponto!

2016 foi um ano difícil para todos nós e para o Brasil, em especial. Um golpe foi dado e o caos está instalado. O Ateliê Contraponto, obviamente, também sofreu as consequências dessa crise política, econômica e social: perdemos alunos que ficaram sem condições de continuar. Mas alguns resistiram e outros novos chegaram. É assim a dinâmica da resistência nesses duros momentos. E resistir também é desenhar e pintar, porque...

"... As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto."

... como disse Drummond, nosso poeta.

No Ateliê Contraponto foi um ano de muito trabalho, de muito aprendizado, de muito esforço conjunto e individual. Pela quantidade e qualidade dos trabalhos apresentados, dá para ver que o ateliê começa a ter um amadurecimento muito bom, o que foi notado por diversas pessoas que foram até lá ver de perto, como Artur Montanari que me disse: "Mazé, estou impressionado com a qualidade do trabalho dos alunos do ateliê!" Verdade, esta exposição é uma amostra do empenho que todos têm feito para evoluir no desenho e na pintura.

Na comemoração, os alunos resolveram trocar seus trabalhos, num jogo de "amigo secreto" entre eles e nós, professores. Foi uma noite muito divertida, onde tivemos inclusive a participação do cantor lírico, o tenor Paulo Köbler, meu aluno, que cantou três músicas de seu repertório clássico.

Com esta atividade, o Ateliê Contraponto encerra seus trabalhos neste ano e deseja a todos que o ano de 2017 seja o melhor possível e que a chama da Arte continue iluminando e inspirando a todos nós em todos os nossos caminhos!

A exposição pode ser visitada até o próximo dia 17 de dezembro e de 10 a 28 de janeiro de 2017.

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Abaixo, algumas das fotos que registraram a comemoração do Ateliê.

Paulo Köbler cantando
Paulo Köbler apresenta seu quadro "Flor amarela"
Luiz Vilarinho e seu trabalho em carvão "Gatos"
Victor Boina, Virginia Morais, Tais Isensee e Luiz Vilarinho
Alexandre Greghi e sua pintura "Nu em preto e branco"
Mazé Leite apresentando sua pintura "Até a última gota"
Guilherme Martinez e sua pintura a óleo "O escafandrista"


Virginia Morais e Mikie Fucatu
Alexandre Greghi e Taïs Isensee
Taïs Isensee apresenta sua pintura em pastel "O dálmata"
Virginia e seu quadro "Andrógino"
Maria Fucatu e sua pintura em guache "Paisagem aquática"
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Alguns dos trabalhos dos alunos:



Pinturas de Guilherme Martinez, Taïs Isensee e Virginia Morais

Pinturas de Taïs Isensee e Guilherme Martinez

Pintura a óleo de Taïs Isensee

Pintura a óleo de Virginia Morais

Pintura a óleo de Guilherme Martinez


(Todas as fotografias são de autoria de Virgínia Morais)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Pós-impressionismo: o triunfo da cor

"Mulher de perfil", Aristide Maillol
Os museus parisienses d’Orsay e de l’Orangerie cederam, para exposição nas dependências do Centro Cultural do Banco do Brasil, 75 obras de 32 artistas que teriam buscado um novo caminho na sua pintura, no final do século XIX e começo do século XX.

O título de “pós-impressionismo” foi dado pelo crítico inglês Roger Fry, porque teria identificado uma nova “linguagem estética” baseada no uso intenso da cor. Na verdade é um título genérico para agrupar diversas tendências estéticas que surgiam naquele período. Neste grupo de 32 artistas estão nomes que são identificados também o Impressionismo, como Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Cézanne, Seurat e Matisse, mais conhecidos do público em geral.

"A italiana", Van Gogh
Sobre a curadoria desta exposição, assim como seus patrocinadores estão: Pablo Jimenez Burillo (da Fundação Mapfre), Guy Cogeval (diretor do Museu d’Orsay e de l’Orangerie) e Isabelle Cahn (conservadora do Museu d’Orsay e especialista em arte da segunda metade do século XIX), e uma parceria com o Musée d’Orsay e a Fundación Mapfre. No Brasil, a mostra conta com apoio do ex-MinC, por meio da lei de incentivo à Cultura, e patrocínio do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, BB DTVM e Banco do Brasil. Ou seja, apoio de empresas ligadas ao mercado financeiro.

A exposição foi dividida em quatro níveis: 1 - “A ciência da cor”, que apresenta obras inspiradas nos estudos do químico Michel-Eugène Chevreul, que fez estudos sobre a teoria das cores e inspirou a pintura “pontilhista” (feitas com pequenas pinceladas de cores primárias justapostas); 2 - “Núcleo misterioso do pensamento”, que inclui obras de Paul Gaguin e Émile Bernard, onde as cores são de caráter mais simbólico, e podem ser vistos desenhos nos contornos e silhuetas, refletindo também o mundo interior do artista; 3 - “Os Nabis”, uma espécie de ideologia de um grupo de artistas que defendia que a origem da arte é espiritual e a cor transmite estados de espírito; 4 - “A cor em liberdade”, que mostra obras que se inspiram desde a região da Provence francesa à natureza tropical.

Esta exposição oferece ao público brasileiro a oportunidade de ver de perto alguns dos nomes mais conhecidos da arte francesa do século XIX como Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Matisse, Cézanne. Mas também estão lá pintores como Georges Seurat, Paul Signac, Pierre Bonnard, Édouard Vuillard, André Derain, Charles Angrand, Georges Lemmen e Félix Vallotton.

"Fritillaires", Van Gogh
Esta exposição mostra como a cor se converteu em “um caminho” que se iniciou com o Impressionismo e continuou até à chamada pintura de vanguarda, caminho este que também desaguou nos diversos “ismos” em que foram enquadrados movimentos estéticos do século XX. Com o surgimento e desenvolvimento da fotografia no século XIX, os pintores se sentiram mais “livres” para fazer suas próprias pesquisas particulares. Até então, uma das grandes funções da pintura era retratar figuras importantes das classes dominantes, mas também pessoas das relações pessoais dos artistas, ou mesmo daqueles que tinham condições de encomendar um retrato a um pintor. Com a máquina fotográfica, esta função transferiu-se para o estúdio dos fotógrafos. Mesmo assim geniais retratistas, como John Singer Sargent, continuaram pintando grandes retratos.

Naquele mesmo século XIX, o pintor francês Gustave Courbet inaugurou uma exposição, em 1855, que denominou: “Du Réalisme”, iniciando um movimento que defendia um “maior espírito científico do homem europeu no conhecimento e interpretação da natureza”, como observa o historiador brasileiro Carlos Cavalcanti. “O realismo reagia ao idealismo neoclássico, ao mesmo tempo que também era contrário à “exacerbação emocional do romantismo”. O movimento Impressionista derivou diretamente do Realismo, na visão de diversos autores, indluindo o próprio Cavalcante. Gustave Courbet e Édouard Manet, que se impuseram contra a arte oficial da Academia francesa, abriram espaços para os novos pintores que os novos tempos estavam trazendo.

"Colheita em campo de trigo",
Émile Bernard
O Impressionismo teve seu início em 1874, em Paris. Um grupo de pintores jovens resolveu também se organizar contra as regras da Academia que os impedia de participar das exposições do Salão de Paris. Naquela época, o Salão de Paris era praticamente o único espaço onde os pintores poderiam expor suas obras e encontrar reconhecimento público na França. Mas era controlado rigorosamente pelos membros da Escola de Belas-Artes que defendiam o estilo neoclássico com unhas e dentes. Por isso, esses novos pintores eram sistematicamente recusados pelos organizadores e viviam em grande isolamento do público. Entre eles estavam, além de Courbet e Manet: Auguste Renoir, Edgard Degas, Camille Pissarro, Paul Cézanne, Alfred Sisley, Claude Monet e a artista Berthe Morissot.

Estes artistas em exposição aqui no Brasil, no CCBB, derivam desta movimentação estética, e até mesmo ideológica, que ocorreu em Paris pós-Revolução Francesa e pós-Revolução Industrial. As artes plásticas do século XX se ramificaram em dezenas de “ismos”, alguns com curta duração e alguns submetidos às diversas conjunturas políticas daquele século. Foram momentos de intensa efervescência criativa, quando eventos muito importantes na história da arte se deram; mas ao mesmo tempo se criou um distanciamento da realidade, que já não era a grande referência, mas sim os mundos interiores dos sujeitos individuais. O desenho se “desconstruiu”, a Luz perdeu lugar para a Cor, o estudo intenso do artista perdeu lugar para a “expressão pessoal” sem critério.

A mostra ficará em cartaz em São Paulo até o dia 7 de julho, e segue depois para o CCBB-Rio de Janeiro onde poderá ser vista de 20 de julho a 17 de outubro.

"A casa", Léo Gausson
"Mulheres de Taiti", Gauguin
"A praia de Heist", Georges Lemmen

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Cidades e sensações, aquarelas de Avelino

"Rua dos Engenheiros em Paranapiacaba", aquarela, Carlos Avelino
A Galeria do Ateliê Contraponto está apresentando até o próximo dia 20 de abril uma exposição com 50 aquarelas do artista paulistano Carlos Avelino.

Carlos Avelino
Carlos Avelino trabalha como professor e realizador de cinema de animação. Também tem atuação constante no cenário brasileiro das artes plásticas e ilustração. Realizou diversas produções nacionais e internacionais tanto para publicidade quanto longas metragens para cinema na área de animação. Exerce a função de coordenador e professor do curso de animação na Faculdade Melies de Tecnologia.

Alguns de seus trabalhos podem ser visto em exposição permanente na Pinacoteca de Ponta Grossa - PR como também no livro Urban Sketches juntamente com artistas do mundo todo. Para Avelino a arte em aquarela vai muito além da inspiração pois ela exige técnica, dedicação e estudo. É um objetivo perseguido através do tempo. As pinceladas fluídas e com naturalidade são um desafio. Uma busca incansável exercida diariamente para que o artista possa representar as formas e captar sensações de maneira simples.

Estas aquarelas, que estarão expostas até o dia 20 de abril, é a sua interpretação de momentos da vida. A sua pintura não busca representar fielmente figuras e cenários. A “mágica” está em imortalizar momentos do cotidiano trazendo o expectador para o interior da obra e, desta maneira, possa ter a sensação de participar daquele momento tão especial do artista.



"São Luis do Paraitinga", aquarela de Avelino

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Ateliê Contraponto inaugura seu novo espaço


Na última sexta-feira, 19 de fevereiro, o Ateliê Contraponto inaugurou seu novo espaço na Avenida Angélica 2.341, em Higienópolis, São Paulo.
Foi um evento bastante concorrido. Cerca de 70 pessoas passaram por lá para prestigiar e conhecer as novas instalações do ateliê de Alexandre Greghi, Luiz Vilarinho e Mazé Leite. Contatos importantes foram feitos para próximas exposições na Galeria Contraponto, que estaremos divulgando também aqui neste blog.
Estudo de Velázquez, Mazé Leite
Na inauguração do novo espaço, que inclui a presença de amigos e artistas, o Ateliê Contraponto apresentou uma exposição de desenhos e pinturas de seus alunos e professores, produzidas nos últimos dois anos. Estão participando da exposição, que fica aberta até o próximo dia 5 de março: Maria Fucatu, Mikie Fucatu, Taïs Isensee, Francisco Cabral, Sandra Longeaud, Tiago Savio, Ana Rocha, Daniela Padilha, entre outros.
O Ateliê Contraponto, que já completou dois anos de existência, vem se destacando cada vez mais como espaço cultural das artes plásticas em São Paulo, tendo realizado já seis exposições coletivas com a participação de mais de 60 artistas, de São Paulo e de outros Estados brasileiros.
Mas o espaço também serve para a produção pessoal de seus professores - Alexandre Greghi, Luiz Vilarinho e Mazé Leite - e também para cursos de Desenho, Pintura a óleo, giz Pastel e Aquarela. Para esta nova fase, o Ateliê Contraponto planeja intensificar ainda mais suas atividades: além das aulas e das exposições, promover workshops com artistas convidados (teóricos e práticos), ter com regularidade sessões com modelo vivo, intensificar os estudos sobre a arte figurativa e estreitar ainda mais os laços com outros artistas e outros ateliês figurativos de São Paulo. A ideia do Ateliê Contraponto é ser um espaço aglomerador para quem gosta e faz arte em São Paulo. 
Durante o evento, a banda Underpath tocou clássicos do rock, com seus quatro excelentes músicos!

A exposição atual estará aberta à visitação pública de terça a sexta, das 14h às 20h até o dia 5 de março de 2016.

ATELIÊ CONTRAPONTO
Avenida Angélica, 2.341
Higienópolis - São Paulo/SP
t. (11) 9 9988-4858

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A exposição:

 


Alguns momentos do evento:
Com Ieda del Bianco, em frente aos trabalhos feitos pelos alunos do ateliê
Músicos da banda Underpath, que tocou rock clássico durante o evento
Alexandre Greghi com M. Fucatu, Tais Isensee e Vanessa Machado
Diógenes Pompe, Liliane, Ednilson e outros amigos do ateliê
Luiz Vilarinho e algumas das visitantes da exposição

Dona Maria Fucatu, que começou a desenhar aos 88 anos de idade e também participa da exposição